Skip to main

Cinco previsões de negócios digitais para 2017

Nicholas D. Evans*

Embora diversas tendências tecnológicas costumem receber toda a atenção no início do ano, em 2017 o destaque será o enfoque mais abrangente que as organizações darão à transformação digital, utilizando modelos de negócios em plataformas, o poder de combinações tecnológicas, aliados ao domínio dos serviços digitais e as principais práticas em inovação empresarial. Também haverá um número crescente de "pioneiros" saídos do universo corporativo, à medida que os setores verticais refinem seus negócios digitais.

Diante dos repentinos avanços, aponto a seguir uma lista com cinco previsões que devem ser consideradas por líderes corporativos para o planejamento deste ano.

1. Acelerar o ritmo digital: de "conduzidos pela tecnologia" a "pioneiros"

Em 2017, podemos estar certos de que a "mudança" será a única constante nesta equação. O ritmo da inovação, particularmente em grandes corporações e no governo, reduzirá distâncias no setor de tecnologia, com novidades surgindo quase que semanalmente.

Já estamos começando a notar este movimento com os serviços financeiros, com exemplos como a recente modalidade de retirada de dinheiro por meio do dispositivo móvel, introduzida pelo Barclay's e as operações de blockchain para financiamento disponíveis no mercado. Esses casos ilustram como as organizações estão repensando e até mesmo redesenhando modelos e processos de negócios junto com parceiros tecnológicos, além de lançarem uma série de inovações, mês após mês.

As companhias também estão trabalhando com novas estratégias que transformam cadeias de valor lineares em redes de valor multidimensionais, além de novas competências para dar suporte às linhas de montagem digitais, novos processos que dão maior ênfase a todos os aspectos do ciclo de vida e de novas tecnologias, como a Internet das Coisas (IoT), automação inteligente, blockchain, pagamentos móveis, wearables e aplicações de realidade aumentada.

 

2. Modelos de negócios em plataformas: das cadeias de valor às redes de valor

 

Neste ano, seguiremos vendo a aceleração das taxas de queda entre empresas que fazem parte da lista Fortune 500, bem como as respectivas mudanças de líderes da indústria. Poderemos notar também uma maior separação entre a liderança digital e os retrógrados – orientados pela maneira que entregam experiências digitais aos seus clientes -, como também mais parcerias entre corporações e organizações especializadas em tecnologia de ponta, que unirão forças para criar soluções mais avançadas e propostas de valor integrado.

Muitas dessas novas alianças serão fundamentadas em modelos de negócios baseados em plataformas, o que certamente promoverá algumas mudanças de grande magnitude na disrupção dos negócios, nos próximos anos, pois vão dissolver limites entre setores e expandir as fronteiras da jornada dos clientes. Estes modelos demonstraram gerar muito mais valor quando comparados aos tradicionais, principalmente porque não exigem ativos físicos e transformam cadeias de valor lineares em redes de valor multidimensionais.

Uma das primeiras tarefas dos chamados C-levels será colocar em prática uma visão adequada de plataformas e uma estratégia para suas organizações. Isso deve ser acompanhado por uma investigação profunda das arquiteturas e modelos operacionais, desenvolvimento de competências e investimentos nas implementações iniciais.

3. Tecnologias disruptivas: de tecnologias segregadas às combinações tecnológicas

Neste ano, veremos um grande número de novos agentes tecnológicos entrando em ação como elementos intensificadores de valor dentro de modelos e processos de negócios digitais. "Componentes fundamentais na experiência digital", tais como as tecnologias SMAC, que atendem às necessidades básicas e expectativas dos clientes, se tornarão as principais apostas para aplicações digitais.

Por outro lado, os agentes que vão potencializar a experiência digital, como a IoT, tecnologias de automação inteligente, wearables e aplicações de realidade aumentada serão utilizados por empresas visionárias para esculpir espaços inovadores e encantar clientes com novas experiências, diferente de tudo que já se viu antes.

No que diz respeito à automação inteligente, observaremos uma rápida evolução do local de trabalho digital que combinará o melhor do que os humanos e as máquinas têm a oferecer. As máquinas se tornarão mais sociais (veremos, por exemplo, agentes virtuais com inteligência emocional, robôs "treináveis" e autônomos) e os seres humanos, por sua vez, seguirão contando com mais instrumentos (por exemplo: wearables no local de trabalho para otimização de processos sem o uso das mãos), que vão amplificar as possibilidades.

É fundamental para as organizações que desejam explorar essas tecnologias entender que não devem ser implementadas em lacunas. Em vez disso, devem ser pensadas como "elementos fundamentais e intensificadores da experiência digital", que podem ser combinados de maneiras poderosas para construir novas propostas de valor e modelos de negócios inovadores.

4. Entendimento dos serviços digitais: de técnicas discretas a linhas de montagem digitas

As empresas mais bem-sucedidas serão aquelas que desenvolverem uma capacidade digital completa, abrangendo desde a concepção e o desenvolvimento, até a implementação e o gerenciamento das soluções. Estas companhias poderão promover a evolução de seus serviços digitais continuamente ao longo do tempo com imensa agilidade, além de níveis elevados de sofisticação e escala. 

O entendimento sobre os serviços digitais se tornará um elemento fundamental na diferenciação entre organizações, ajudando-as a criar serviços inovadores de maneira mais ágil do que os concorrentes e especificamente desenhados para cada cliente. As principais técnicas para compreender esse setor incluem as tecnologias Agile, DevOps, Infraestrutura como Serviço (IaaS), automação inteligente, conceitos de personas, perspectiva e gestão de serviços digitais.

Tomando como perspectiva o ciclo de vida, a ideia é acelerar o desenvolvimento e a implementação dos serviços digitais, torná-los ágeis, escaláveis e disponíveis sob demanda, automatizá-los extensivamente, personalizá-los e contextualizá-los para promover melhores experiências aos clientes, além de gerenciá-los de forma abrangente.

O mesmo ocorre com a combinação de tecnologias. É fundamental que as organizações integrem diversas técnicas e abordagens em uma capacidade abrangente, que apoie e enriqueça todos os pontos de contato digitais, interações e transações com os clientes. 

5. Gestão da inovação: do conceito de centralização para "onde atuar" e "como dimensionar"

O tema gestão da inovação evoluirá ainda mais, indo além dos desafios da gestão das ideias e abordando todos os aspectos do ciclo de vida. Ao explorar "onde atuar" e "como dimensionar", as organizações serão capazes de fornecer mais recursos de conectividade para processos adjacentes corporativos de estratégia e execução. Desta forma, este planejamento pode ajudar a orientar a inovação, que por sua vez, pode promover a atualização da estratégia, para que as novidades possam ser lançadas e dimensionadas com sucesso.

As tecnologias, como a inteligência robótica, auxiliarão os gerentes a acompanhar melhor as tendências e novidades dos mercados emergentes. Além disso, os algoritmos e técnicas de simulação vão ajudar a desenhar cenários hipotéticos para explorar o futuro digital e a planejar a dimensão das inovações de modo mais efetivo.

Alguns dos integrantes do setor de software de gestão de inovação já estão embarcando nessa jornada com uma série de novos recursos e com o planejamento de futuras melhorias nos portfólios de produtos. A contínua transformação digital é fundamental para a sobrevivência das empresas, por isso explorar a nova geração de software de gestão de inovação será uma maneira valiosa de maximizar as chances de êxito.

Conclusão

Estamos ainda no início de uma emocionante viagem que nos levará aos próximos 10 anos e além. Ainda que o termo "transformação digital" possa mudar nos próximos anos, podemos ter a certeza que ele continuará sendo tanto digital quanto transformador.

Á medida que a indústria de tecnologia amadureça e o entendimento sobre a transformação digital acompanhe esta evolução, talvez os elementos mais importantes para se ter em mente serão as redes de valor, a combinação de tecnologias, as linhas de montagem digitais e a inovação conectada.

*Nicholas D. Evans lidera o Programa Estratégico de Inovação da Unisys